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25/08 - 01:00 - 00:00 - DIA DO SOLDADO

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SUCESSOS DE SEMPRE
Rufa Sales

Ídolos

Zeca Pagodinho

No Rio de Janeiro, o samba est? em todos os lugares. Todo bairro tem um cantinho (ou um cant?o, dependendo do caso) onde grandes sambistas surgiram e ainda surgem de tempos em tempos. Como alguns r?pidos exemplos: Vila Isabel foi a rampa de lan?amento de Noel Rosa e Martinho da Vila (que veio de Duas Barras, interior do estado), Elton Medeiros ? origin?rio da Gl?ria, Cartola nasceu no Catete, se criou em Laranjeiras e se consagrou na Mangueira, Botafogo foi o primeiro endere?o de nome do Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho ? nativo da Tijuca, Beth Carvalho veio para a Zona Sul depois do nascimento na Gamboa e Nei Lopes passou a inf?ncia em Iraj?, mesmo bairro onde veio ao mundo um certo Jess? Gomes da Silva Filho.

Recebendo o mesmo nome do pai, o beb? nasceu em 4 de fevereiro de 1959 e juntou-se aos irm?os Icl?a (1952). Jorge Roberto (1954) e Irc?ia (1957). O time de filhos de Seu Jess? e Dona Irin?ia ainda ganharia um quinto integrante em 1964, com a chegada de Isabel. A ca?ula nasceu em Del Castilho, endere?o adotado pela fam?lia logo ap?s o nascimento de Zeca, quer dizer, Jess?. Zeca viria alguns anos depois.

Em suas andan?as e brincadeiras por Iraj? e Del Castilho, o garoto se enturmou com os mais velhos. Al?m de dar seus primeiros passos na escola do samba, ainda tomava li??es extras de filosofia de vida com o "professor" Thybau, seu tio-av?, patriarca da fam?lia e cobra-criada na arte da boemia e festividades em geral. Na adolesc?ncia, recebia sempre convites para embarcar nas aventuras noturnas do irm?o e dos amigos Z? Vaca Brava e Seu Andr?. Como ainda era "de menor", o garoto de 14 anos se entocava embaixo das mesas de bar ao menor sinal de aproxima??o do Juizado de Menores.

O gosto pela vida noturna e pelo samba logo o afastaram das salas de aulas. Depois da quarta-s?rie n?o quis mais saber de escola. S? tinha pensamentos para a m?sica que ouvia e queria entrar de cabe?a. Tamb?m era um rapaz de carisma ?nico e as meninas do bairro n?o lhe resistiam. Dorina, sambista talentosa e amiga dessa ?poca, afirma que poucas garotas das redondezas n?o ca?ram na l?bia do Zeca. Entretanto, ela jura de p? junto que ficou de fora do har?m.


Se fugindo do Juizado Zeca j? estava em todas, depois da maioridade n?o havia mais o que o segurasse. A companhia dos amigos estava sempre ao alcance e o transporte para as noitadas podia at? ser escolhido: ?nibus ou a garupa da moto de S?rvula, grande amiga e parceira de boemia. Com ou sem a moto, a dupla era presen?a constante em v?rias rodas de samba, blocos e festas da Zona Norte. A prefer?ncia de ambos era sempre os eventos em que a atra??o principal fosse um tal de partido-alto, modalidade de samba que se tornaria uma febre no final dos anos 70.


O dinheiro para bancar a bebida e a comida nunca foi um grande problema, afinal ele nunca tivera muito at? ent?o. Mas como nem tudo s?o flores, cerveja gelada e batuque, Zeca precisava descolar um trocado para financiar a vida noturna. Trabalhou como feirante, camel?, office-boy, cont?nuo e at? anotador de jogo do bicho ("corretor zool?gico", como ele costuma dizer). Verdade seja dita, ele s? n?o era o malandro completo e rom?ntico porque nunca correu do batente. Entre o trabalho s?rio do dia e o aprendizado com o samba ? noite, o rapaz come?ou a formar o time de amigos e parceiros que o acompanhariam pelo resto da vida.

No final dos anos 70 e in?cio dos anos 80, Zeca estava cada vez mais estabelecido como um versador de respeito, mas tamb?m escrevia seus sambinhas. Em parceria com o flautista e tamb?m partideiro Cl?udio Camunguelo, "Amargura" foi sua primeira m?sica gravada. Entrou no repert?rio do segundo disco do grupo Fundo de Quintal, originado essencialmente pelo pessoal do Bloco Cacique de Ramos. Essa m?sica chamou aten??o do grandalh?o Arlindo que veio conversar com o jovem compositor numa roda de samba em Quintino. O papo rendeu novos encontros, que se tornaram mais freq?entes e logo os dois estavam insepar?veis. Poderiam at? ter recebido o apelido de Dupla Din?mica, mas entraram na brincadeira da turma do samba e, pela enorme diferen?a de portes f?sicos, viraram O Gordo e o Magro.

Al?m de S?rvula e Dorina, Zeca tamb?m cultivava a amizade de Paul?o Sete Cordas (na ?poca, apenas Paulo Roberto),
Monarco, Mauro Diniz(filho de Monarco), Almir Guineto, Bira Presidente, Dudu Nobre(filho dos tamb?m amigos Anita e Jo?o Nobre. Dudu era pequeno e tinha que liberar o quarto para um combalido Zeca despencar de vez em quando), Beto Sem Bra?o e Arlindo Cruz, com quem formou uma dupla cujo vigor atravessa as d?cadas.

Beth Carvalho j? havia sido madrinha do Fundo de Quintal, mas ficou particularmente encantada com "Camar?o Que Dorme A Onda Leva", composi??o de Arlindo Cruz, Beto Sem Bra?o e Zeca. Dos tr?s, o filho do Seu Jess? foi convidado para gravar essa m?sica com toda a pompa e circunst?ncia que isso envolve. At? microfone de ouro entrou na jogada. Ele, que nunca tinha cantado em um microfone, na primeira viagem teve que encarar logo um de ouro. "Camar?o..." foi um sucesso e ganhou at? clipe no Fant?stico.

Depois de muitas grava??es, parcerias e shows
Zeca Pagodinho estava definitivamente no cora??o do povo. Mesmo receoso, encarava palcos de todos os tamanhos e para todos os p?blicos. J? foi atra??o do Directv Music Hall, do Claro Hall, do Canec?o e do Teatro Municipal com casa cheia e exig?ncia de shows extras. Depois que ganhou o Grammy, foi convencido a levar sua m?sica para fora do Brasil. Logo o menino de Iraj? estava cantando na Europa, ?frica e Am?rica do Norte com a mesma naturalidade com que cantava nas rodas de samba do Cacique de Ramos.

Seu carisma levava as emissoras a disputarem sua presen?a a tapa. Com o jeit?o desconfiado de sempre, Zeca freq?entou o sof? da Hebe, o palco do Faust?o, Raul Gil e Gugu, a poltrona do J? Soares e at? a cadeira do irreverente punk Jo?o Gordo, da modernosa MTV. Ali?s, foi na MTV que foi escrito o cap?tulo mais elegante da sua hist?ria. Com repert?rio escolhido a dedo e orquestra digna de um show de
Luciano Pavarotti, o portelense colocou o samba em um ponto nunca antes alcan?ado: atra??o principal de um celebrado ?lbum ac?stico. "Ac?stico MTV Zeca Pagodinho" foi lan?ado em 2003 em CD e DVD tornando-se um sucesso instant?neo. A raz?o? Talvez porque no palco estava o homem que nunca perdeu o elo com seu povo, suas origens e sua ess?ncia.

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